Alguma vez olhou para um campo de flores e ficou à espera que as abelhas chegassem? Bem, na Casa Féteira, estamos à espera de algo com menos zumbido e um pouco mais de... brisa.
Neste momento, as nossas árvores estão completamente cobertas de pequenos botões verdes, que estão quase prontos para explodir em flor. É uma visão maravilhosa, mas também marca um período de ansiedade para qualquer produtor de azeite. Porquê? Porque, ao contrário de muitas árvores de fruto, as oliveiras são anemófilas. É uma forma sofisticada de dizer que são "amantes do vento".
A maioria das oliveiras são "autocompatíveis", o que significa que se podem polinizar a elas próprias. No entanto, ter uma leve brisa que traga pólen de uma árvore vizinha (polinização cruzada) resulta muitas vezes numa colheita muito melhor e mais consistente.
Cada um desses milhões de pequenas flores brancas liberta uma nuvem de pólen tão leve que pode viajar quilómetros. Para uma colheita de sucesso, não precisamos de uma tempestade como as que vivemos este inverno. O que precisamos é de uma brisa suave e constante que dance entre os ramos e ajude o pólen a encontrar o seu caminho de flor em flor.
Também é essencial que as condições climatéricas sejam equilibradas — nem demasiado quentes (o que seca o pólen), nem demasiado chuvosas (o que o lava), mas com vento suficiente para manter tudo em movimento.
No fundo, trata-se de um verdadeiro jogo de números que a natureza joga connosco todos os anos. Embora as árvores pareçam cobertas por uma nuvem branca cheia de potencial, a realidade é que apenas uma pequena fração — muitas vezes menos de 5% — dessas flores sobreviverá para se transformar em azeitona. Muitas são flores “falsas”, que não produzem pólen, e outras acabam por cair devido a condições desfavoráveis. Talvez por isso, cada azeitona que chega ao nosso lagar tenha algo de pequeno milagre.
Por isso, se nos vir no olival a olhar para o céu, não estamos apenas a aproveitar o sol de primavera — estamos a torcer pela fórmula certa do tempo.
Veja abaixo as fotografias das nossas árvores, agora repletas de botões, e conheça também a Olívia, a nova habitante da quinta, que se junta ao nosso outro cabrito, o Figo!





